Como devemos compreender
a caridade?
Caridade é uma das formas de manifestação do amor. Este, o
mais sublime sentimento da criatura, não pode permanecer embutido em nosso
íntimo; precisa ser desenvolvido e demonstrado, pois do contrário
converter-se-á em egoísmo, que é o amor a si mesmo. Sempre que exteriorizamos o
amor, somos imediatamente abençoados pelo Amor Divino, que nos envolve nas
graças da alegria, do bem-estar e da paz de consciência. Se recebemos o que
damos, doando amor verdadeiro naturalmente estamos em condições de receber o
amor do próximo.
Portanto, em relação à caridade, o primeiro pensamento que
devemos ter é o de que a sua prática é um bem que fazemos a nós mesmos, embora
o necessitado possa ser beneficiado com a nossa ação positiva. É que este de
qualquer maneira receberia a ajuda, pois Deus sempre dá a cada um o que merece
para a sua felicidade. Bendita a oportunidade que o Pai nos concede de praticar
o bem, porque assim crescemos de encontro à felicidade.
Amplo é o leque da caridade, compreendendo qualquer ação que
tenha por fim amparar o semelhante. A mais comum e a mais fácil é a caridade
material. Entregamos ao carente bens que lhe possam ser úteis, quais sejam:
dinheiro, roupas, calçados e outros. A mais comum porque o contingente de
pobres no mundo é muito grande; a mais fácil porque requer de nós apenas dar
algo que em regra está nos sobrando.
A caridade moral é a que praticamos com maior dificuldade,
mas que pela sua natureza está ao alcance de todos, ricos ou pobres. Não se
requer dinheiro, mas um envolvimento pessoal junto ao irmão aflito, desde uma
simples palavra de consolo e esperança até ações complexas, que muitas vezes
nos comprometem o sossego, o tempo e relacionamentos. E mesmo que não nos seja
possível um contato direto e pessoal com o necessitado, ainda assim podemos
ajudá-lo com a prece ou pensamentos positivos, pelos quais endereçamos a ele
energias balsamizantes. Ninguém, pois,
se diga incapaz de fazer caridade.
Porém, para que o nosso gesto tenha alguma validade para
nós, é preciso observar as recomendações de Jesus. Disse o Mestre que o bem
praticado não deve ser anunciado, mas que a mão esquerda não saiba o que dá a
mão direita. Se por ventura podemos auxiliar alguém, que o façamos em silêncio,
para que este último não se sinta humilhado com a publicidade do fato. Não
esperemos na Terra qualquer retribuição, nem mesmo do beneficiário, confiante
de que Deus, que tudo vê e tudo sabe, recompensa a mancheias aquele que faz a
Sua Vontade.
Não deve ser nossa preocupação fazer muita caridade, mas sim
o que sinceramente podemos fazer, porquanto mais vale o pouco que oferecemos de
coração do que o muito por ostentação, conforme o Cristo observou aos seus
apóstolos quando a pobre viúva depositou apenas duas moedas no recipiente de
contribuições do templo judaico.
O apóstolo Paulo colocou a caridade acima da fé e o
Espiritismo entende que fora da caridade não há salvação. Isso porque de nada
vale a nossa fé se ela não nos leva a ser solidários com o próximo, a
estender-lhe a mão quando está necessitado, a fazer-lhe todo o bem possível,
seja ele quem for. A caridade é motivada pelo espírito de solidariedade e este
mais se desenvolve com a sua prática. Irradia-se e contagia a todos que se
submetem aos seus eflúvios amorosos, transformando tristezas e desespero em
esperança.
Destarte, praticar a caridade é um meio eficaz e necessário,
em especial nos tempos de tantas aflições quanto os atuais, à eliminação das diferenças
psicossociais existentes, e com isso estabelecermos na Terra um mundo de
igualdade e fraternidade entre as criaturas.
Autor: Donizete Pinheiro /Livro: Respostas Espíritas / 1ª Edição/ Cap 6